PROFETAS DA ECOLOGIA
– A história da conquista de um espaço –
Se há um grupo humano que pode ser considerado símbolo
por excelência dos excluídos, é bem o dos catadores, papeleiros, carrinheiros e
moradores de rua em geral. A opinião pública costuma designá-los simplesmente
com o vocábulo lixeiros. Vítimas que são do pior dos preconceitos, há assim
mesmo, quem se permita o luxo de um buzinaço, de dentro de seu automóvel, ao
esbarrar com eles nas sinaleiras. Isso quando, de passagem e de lambuja, ainda
lhes atiram algum palavrão pelas costas.
Depois de mais de uma dezena de anos
de inserção nas periferias, fomos impactados pela quantidade desses
carrinheiros que circulam pelo centro da cidade, arrastando pelas ruas. praças,
debaixo de viadutos e pontes, suas pesadas cargas de até 300 quilos, quais
autênticos animais de tração, explorados por todo tipo de intermediários que,
às vezes, não lhes pagam mais que uma simples garrafa de cachaça.
Misereor super turbam! (Mt
15,32) “Tenho compaixão deste povo” foi o desabafo de Jesus ao contemplar a
multidão carente e sofrida de sua terra. Idêntico sentimento foi tomando conta
de nós. Como ajudá-los a se ajudarem? Como organizá-los? Outra saída não vimos
para gente pobre, que não seja união e organização. Aliás, mutirão, comunidade,
deitam suas raízes na própria práxis de Jesus de Nazaré e na cultura popular
mais autêntica que nos veio dos índios, especialmente do povo
guarani-missioneiro dos Sete Povos das Missões.
Abordagens aqui e acolá, acrescidas de
algum acompanhamento em seu dia a dia. Começou a crescer, dentro de nós, a
convicção de que deveríamos arranjar um espaço no centro ou perto do centro da
cidade, a fim de que tivessem condições mínimas de trabalho.
Com o andar dos dias, não sem pouca
consulta aos próprios interessados, eis que chegara a hora de “fazer a cobra
fumar.” “Deus ajuda a quem cedo madruga”, diz a sabedoria popular. “A luta faz
a lei” costumam sentenciar os mais afoitos dos Movimentos Populares, entre os
quais, o mais conhecido e badalado por seu destemor, é o MST.
Uma primeira etapa foi consumida em
tentativas de persuasão, junto à Administração Popular da cidade. Chegamos até
a sugerir três áreas passíveis de cedência, nem que fosse a título precário.
Mais tarde, feita a experiência-piloto, voltaríamos a conversar e a encaminhar
melhor as coisas. Talvez até um pequeno aluguel por mês. Esse caminho se
mostrou infrutífero.
De repente, é o próprio Deus a nos
mostrar que vai à nossa frente. Aí nos lembramos do alerta de Jesus: “O Pai
trabalha sempre” (Jo 5,17). Se não tivéssemos fé, diríamos
que teria sido fruto de mero acaso, uma dessas coisas que, pelos caminhos
naturais não se explica de jeito nenhum.
Demos de cara, na zona norte de Porto
Alegre, na Vila Farrapos, com um casal de obreiros da Igreja Evangélica
“Assembleia de Deus”. Gente pobre. Ele, da construção civil, “havia passado
para o papel” conforme sua própria expressão, quando grassou uma grande onda de
desemprego, em meados da década de 80. Ela, negra, vinha de movimentos
populares, trabalhadeira que só vendo!... Assessorados por dois profissionais
liberais, haviam conseguido pessoa jurídica para uma cooperativa de
carrinheiros. Era mais cooperativa-fantasma, só de estatuto, mas não de verdade,
significando cooperação entre trabalhadores pobres.
Para que criarmos novo grupo, se já
existia, entre gente pobre, antes que nós chegássemos, vontade de ser?...
Juntamos esforços, dentro do mais sadio ecumenismo. Botamos a cabeça para funcionar em torno do grande objetivo: conseguir
uma área. Os encontros eram sempre iluminados por passagens bíblicas e
orações. Tudo foi ficando claro para nós: os pobres carrinheiros estavam aí,
explorados por todos os lados. Exerciam, em favor da cidade, um dos serviços
mais importantes, particularmente nesta nossa era da ecologia, a custo zero para os cofres públicos, mas nossa
sociedade continuando insensível ao seu clamor. Porém, se os homens são surdos,
Deus, em compensação, é todo ouvidos ao grito dos oprimidos. “Eis que ouvi os
clamores do meu povo” diz Ele pela boca de Moisés no livro do Êxodo (Ex
3,7). Cheios de fé, abraçados
com Deus, intuímos que tínhamos de conquistar o nosso espaço.
O Mestre Jesus
diz: “quando alguém parte para uma guerra com 5.000 soldados a fim de
enfrentar um inimigo que vem com 10.000, deve pensar direitinho se tem chance
de vitória. Do contrário, antes de empreender a batalha, manda alguém à
frente, com bandeira branca, a fim de negociar a paz” (Lc 14,31-33).
Comparamos as
forças de lá e de cá. Lá, a Prefeitura do Município, com todo seu poderio
baseado em leis, regulamentos e toda uma parafernália de secretarias,
funcionários, etc. Um autêntico Golias. Aqui nós, assessores, grudadinhos aos
excluídos carrinheiros. Assessores, porém, com todo um passado de lutas na
organização de Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e Movimentos Populares, com
nossos títulos e nossas influências, tais como o fato de termos sido
professores de gente ilustre que anda por aí, em cargos públicos e alhures.
Os papeleiros,
precisamente por serem fracos, armados com a força mesma de Deus, a “força
histórica” dos pobres”, na expressão de Gustavo Gutierrez, fundador
da Teologia da Libertação. Sentimo-nos legítimos herdeiros do jovem Davi com
sua funda. O dia D do grande embate se avizinhava. "Sede astutos como
as serpentes e simples como as pombas” (Mt
10, 16), é um
dos motes deixados por Jesus. Em outro trecho do Evangelho, Ele lastima que “os filhos deste século sejam mais prudentes
do que os filhos da luz” (Lc
16,8).
Montada a estratégia,
dividimos as tarefas. O casal de obreiros, chefes da cooperativa, convocariam
20 companheiros, trabalhar-lhes-iam as consciências e nós trataríamos de
arranjar os 20 carrinhos que se faziam necessários. Cada carrinho estava orçado
em 280 reais, o que perfazia a soma total de 5.600 reais. De um jeito ou de
outro teríamos que "descolar essa grana", como eles diziam.
O Espírito Santo,
que é o Espírito de Jesus, a Divina Luz, desceu sobre nós e nos iluminou,
fornecendo-nos um caminho. Batemos às portas de um ex-aluno, diretor ao mesmo
tempo do Banrisul e da
Caixa Econômica Estadual, (Flávio Obino). Oferecemos a lateral dos carrinhos
como espaço de propaganda para Banco RS e Caixa Estadual, pelo tempo de um ano,
em troca do valor dos veículos. A idéia foi aceita e não precisamos desembolsar
um único centavo. Ficou acertada a inscrição propagandística: “Campanha pelo
emprego - Colaboração BANRISUL e Caixa Econômica Estadual”.
Na parte traseira
dos carrinhos, nosso casal coordenador da cooperativa, como bons crentes da
Assembleia de Deus, queriam que viesse escrita uma frase bíblica,
preferencialmente do Antigo Testamento. Conversa vai, conversa vem, apesar de
fundamentalistas honestos – como costumam ser os Evangélicos da “Assembleia de
Deus” – acabaram aceitando que, bom mesmo é sempre encostar a Bíblia na vida.
A partir da realidade do mundo de hoje, qual seria o significado escondido e
mais profundo de um carrinheiro para a sociedade urbana que aí está?...
Lendo juntos o
livro do Profeta Jonas “nos caiu a ficha”: conseguimos ver no carrinheiro nada
mais nada menos que um autêntico Profeta da Ecologia, bem na linha de
Jesus. O educador Paulo Freire, em sua Pedagogia do Oprimido, afirma que
“quanto mais oprimida uma pessoa, mais silenciosa”. Corroborando essa
afirmativa, aí está o carrinheiro, o oprimido por excelência das metrópoles de
hoje, totalmente silencioso. Se não fala nada, é exatamente porque é todo ação.
Nem lhe sobra tempo para discursos. Até parece que nasceu talhado para a
práxis.
Com sua ferramenta
coletora, o carrinho, circula pelo centro da cidade, recolhendo resíduos
sólidos aqui, ali e acolá. Fazendo isso, como qualquer dos profetas bíblicos, denuncia e ao mesmo tempo anuncia. A um só tempo, dá uma má notícia e uma boa. Como Jonas na
cidade de Nínive, o catador, juntando descartes a mais não poder, com esse seu
agir frenético, diz que a sociedade capitalista, dentro de sua orgia consumista,
será destruída (Jn 3,4). A continuar poluindo do jeito que vai, com
essas montanhas de rejeitos por toda parte, com essa produção de alimentos à
base de agrotóxicos, com essas emanações de gases para a atmosfera que destroem
a camada de ozônio, não sobrará ninguém dentro de não muitos anos. A cidade
capitalista-consumista está com os dias contados. A Nínive moderna cairá.
Reciclando o lixo
que recolhe, através da reutilização dos materiais e devolvendo matéria-prima
para as indústrias, o papeleiro está também dando uma Boa Notícia. Anuncia a
nova sociedade que vem por aí, nesta era da ecologia, quando estaremos todos de bem com a vida, em harmonia com a natureza. Ele mesmo, como carrinheiro
novo, sacudindo seu individualismo, trabalhando em mutirão, em associação com seus companheiros, através de uma
economia solidária, anuncia as novas relações entre os seres humanos. Não mais
de exploração, mas relações de cooperação, de solidariedade, de fraternidade,
de mútuo auxílio. O princípio básico da nova sociedade, da qual a organização
dos carrinheiros é uma pequena amostra, é este: “De cada um de acordo com suas
possibilidades para cada um de acordo com suas necessidades”. Solidariedade a
toda prova.
Finalmente raiou o dia D, 27 de setembro de 1994.
Às 7 horas de linda manhã primaveril, lá estavam, esperando, os 20
carrinheiros, na porta da fábrica, no bairro Niterói, em Canoas. Pelo portão
aberto, saem os 20 carrinhos novos, com as cores ecológicas e bem brasileiras:
o verde e o amarelo. Nas laterais a propaganda bancária. Atrás, em letras
garrafais: PROFETA DA ECOLOGIA.
A um sinal de apito do presidente da cooperativa, a
partida. Rua afora, bem na hora de pico matinal. Atravessamos a federal (BR
116), subimos e descemos viadutos, cada carrinheiro com seu apito na boca.
Saindo de Canoas, a entrada solene em Porto
Alegre, em fila indiana, tão comprida quanto esperança de pobre, medindo mais
de 100 metros. A bandeira nacional à frente,
ladeada pelo emblema do cooperativismo. Tudo engendrado por eles, para grande
surpresa nossa. E depois, há gente que não acredita que, além de pão, o povo tem
fome também de organização, de beleza, de ritos.
Engarrafamos o trânsito na avenida Farrapos, na rua
Alberto Bins e outras ruas movimentadíssimas a essa hora da manhã. Aqui e ali
buzinaria atrás de nós. Adentramos pela rua da Praia – de propósito, na parte
frequentada só por pedestres, o calçadão. Descemos outra quadra da Avenida
Borges, cruzamos à frente da prefeitura apitando mais forte, como
prenúncio da escaramuça de logo a seguir. Estacionamos em frente à sede
central do Banrisul, na praça da Alfândega. Perfilados, em ordem unida,
recebemos solenemente a Diretoria do Banco e da Caixa Econômica Estadual, que
fez a entrega oficial dos carrinhos por ela patrocinados. Discursos, palmas, fotografias,
como convém a um fato que queríamos marcar para a cidade e principalmente para
os grandes meios de comunicação social. Não faltou nem a música, que foi
produzida por um carrinheiro-saxofonista. Seu instrumento, de dar dó de tão
velho e gasto, mereceu especial atenção do Diretor do Banco que o presenteou
com um novo, uma semana depois.
Finda a cerimônia, caminho de volta até defronte à igreja-santuário
da Senhora dos Navegantes, do outro lado
dos trilhos da TRENSURB. Ali ocupamos uma área de mais de mil metros quadrados.
Acabávamos de percorrer, a pé, sempre puxando os carrinhos, em torno de 15
quilômetros.
Como sinal da tomada de posse do terreno,
plantamos uma maloca bem no centro da área, para servir de escritório e... mãos
à obra, que o dia é curto e o carrinheiro precisa garantir o pão e o leitinho
das crianças. O trabalho começou no mesmo instante: quem buscando papel no
centro, com os flamantes carrinhos zero quilômetros, quem separando os
materiais e quem enfardando.
Na falta de
prensa, a “máquina” de fazer os fardos era uma caixa de madeira. Começavam
estendendo uma corda resistente nas linhas de comprimento e largura. Com os pés
socavam o lixo selecionado e encerravam a operação dando um nó na corda bem
esticada que envolvia o fardo todo.
Era meio-dia
quando os olheiros da Prefeitura começaram a se alertar para a
"invasão". O estrupício tinha que chegar até o gabinete do prefeito e
este, num primeiro momento titubeou em relação à decisão. O Departamento
Municipal de Habitação (DEMHAB), o Departamento Municipal de Limpeza Urbana
(DMLU) e outros órgãos, teriam que executar a determinação. Chega um lote de
funcionários, munidos de caçambas e outras ferramentas como pás, enxadas,
carrinhos, etc. Porém lá estávamos nós também, acampados, esperando pelo que
desse e viesse. Fazendo uso de nosso diploma de advogado, iniciamos os carteiraços:
"Não podiam tocar em ninguém!... Todos eram clientes nossos!”. “Como é
que podiam despejar se estávamos parlamentando diretamente com o senhor
Prefeito?!". Não era exatamente isso que estava acontecendo. Só força de
expressão.
Na verdade,
extravasávamos a esperança de que começassem negociações. Para tanto, três dias antes, tínhamos
plantado a informação de que ocuparíamos a área, junto a um grande amigo nosso,
ocupante de uma da secretarias – Hélio Corbellini, da Municipal de Habitação – que conosco havia sido militante, desde os
tempos de juventude, no movimento de Ação Católica (a JEC ou Juventude
Estudantil Católica) – com a recomendação: "Dia 27!... Até lá, boca fechada!...
Quando acontecer, lembra-te de nós junto ao Prefeito!”. Com esse torneio de
frase nos lembramos da figura do "bom ladrão", junto à Cruz de Jesus
que, segundo Santo Agostinho, "depois de roubar a vida inteira, acabou
roubando o próprio céu” (Lc 23,42). Lembramo-nos também do arrazoado do grande filósofo e teólogo Tomás de
Aquino que, em plena Idade Média ensinava: Quando alguma pessoa, ou um grupo de
pessoas são totalmente carentes, sem possibilidade de satisfazer o que é
essencial para a vida, tudo no mundo passa a ser comum. Essas pessoas têm o
sagrado direito de buscar, em que lugar estiverem, tanto o alimento que for
necessário para matar a fome, quanto ocupar um abrigo para poder descansar,
etc. etc.”
É que, também nos
havíamos lembrado de uma dica de Jacques Lebret em seu livro “Princípios para
a ação”: "Quando vocês quiserem mudar uma estrutura, têm que começar por
construir uma base dinâmica. Tendo isso garantido, procurem se infiltrar em
todos os escalões intermediários, desde os mais baixos até os mais altos...”
Nossa base dinâmica estava aí, na pessoa desses 20 heróis que decidiram correr
o risco junto conosco, e esse amigo-secretário-municipal era uma das nossas
mais significativas infiltrações. Soubemos mais tarde que desenvolveu esforços
junto ao Prefeito, como convém a um verdadeiro defensor dos pobres.
Outro item, que
contou muito dentro de nossa estratégia, foi a lembrança do dito de Frei Betto:
“Governo é que nem feijão, só cozinha mesmo em panela de pressão!” Em reuniões
do “orçamento participativo” ouvíramos dúzias de vezes, tanto de prefeitos do
PT como Olívio Dutra, quanto de gente da Administração Popular, a seguinte
frase: “Gostamos de administrar sob pressão!” Pois então, “a pressão fica por
nossa conta e a administração, por conta deles! Nós vamos fazer a nossa parte,
eles que façam a deles!”
Foram três horas
de muita tensão. No local da ocupação, às turras com funcionários de escalões
inferiores, tinha que ser mesmo na base do grito e do carteiraço. À semelhança
de Moisés "nos mantivemos firmes, como se víssemos o invisível” (Hb
11,27). Aquele que ouve o clamor dos pobres estava ali, nos dando força e
coragem, apesar de ameaça até de prisão. Também tínhamos certeza de que
estávamos sob os cuidados maternais de Nossa Senhora Aparecida, padroeira de
nossos catadores e “madrinha dos que não têm madrinha”, no dizer do Negrinho do
Pastoreio.
De repente, o
clima desanuviou. A prefeitura suspendeu o despejo e do gabinete do Prefeito
recebemos o convite para a negociação de um convênio. O exército de
funcionários da prefeitura deu o toque de retirada e ficamos só nós, em atitude
de profundo agradecimento aos céus. Os “muros” de Porto Alegre, à semelhança
das muralhas da cidade de Jericó, haviam tombado, não já com o simples soar de
trombetas (Js 6,1-20; Jz 7,4-7; 19-22), mas ao simples silvo dos
minúsculos apitos dos nossos 20 gedeões, os excluídos carrinheiros.
Poucos dias depois
foi assinado o convênio entre a Prefeitura e a nossa entidade “Devoção Nossa
Senhora Aparecida” sonhando desde então, com o futuro Galpão de Reciclagem para
Carrinheiros. Obrigatoriamente, quando pronto o edifício, deveria chamar-se
“Profetas da Ecologia”. Esse mesmo nome de “Profetas da Ecologia, deu nome
jurídico depois, a uma entidade que acabáramos de fundar e que reúne leigos
cristãos, militantes voluntários, unidos em função de serviço a movimentos
populares. A Prefeitura nos cedia o terreno e nós nos comprometíamos a
conseguir dinheiro para construir aquilo que se constituiria no primeiro Galpão
de Carrinheiros organizados, da capital e também do próprio Estado do Rio
Grande do Sul, o galpão dos PROFETAS DA ECOLOGIA, situado à rua
Voluntários da Pátria n° 4201, bem pertinho do DC Navegantes, defronte à igreja
de Nossa Senhora dos Navegantes, e do outro lado dos trilhos do Trensurb. O
primeiro presidente da nova Associação – hoje com o nome fantasia de
ECOPROFETAS – e que queríamos multiplicar por todo o RS, foi Dirk Hesseling.
Juntamente com a esposa Esther, pouco tempo depois, criaram, em Viamão, a
segunda unidade de carrinheiros do estado.
O prédio
caprichado dos Profetas da Ecologia, da avenida Voluntários da Pátria nº 4201,
é fruto de doações da Caritas da Alemanha, da SCIAF da Escócia e da USBEE. Foi
inaugurado solenissimamente no Natal do ano de 1995, com a consagradora
presença do Prefeito e de Dom Antônio Cheuíche, bispo auxiliar do cardeal Dom
Vicente Scherer.
Na inauguração do
Galpão “Profetas da Ecologia”, o bispo presente também benzeu a grande estátua
da Senhora das Águas que, desde 1995 até hoje, sempre preside as celebrações
relacionadas à Romaria das Águas. Romaria esta que tem seu ponto culminante na
Procissão fluvial de 12 de outubro e que encerra com o Rito do Encontro das
Águas, no Guaíba. As águas puras e cristalinas, coletadas nas nascentes das
oito sub-bacias e que são misturadas, no gasômetro, com as águas poluídas,
renova o compromisso da população do Rio Grande com a despoluição total do rio
que banha a capital dos pampas.
Conclusão
Todos somos
políticos, quer queiramos ou não. Pertencendo a partido político ou não.
Individualmente ou ligados a grupos, pequenos ou grandes, todos, sem exceção,
fazemos política, quer tenhamos consciência do fato ou não, de dia ou de
noite, fora de casa ou dentro dela. Cada qual tem sua trajetória particular no
mundo, com sua própria história e consequentemente sua esfera de influência. O
segredo está em colocar tudo isso, que nada mais é do que poder maior ou menor,
a serviço da melhor das políticas. E é nesse ponto que constatamos uma das
maiores omissões de nosso tempo. Num país onde as massas são tão miseráveis,
quanta omissão! Quanto poder político malbaratado!
Se somos políticos
pelo simples fato de sermos cidadãos, no terreno da fé as coisas são um pouco
diferentes. Tornamo-nos pessoas de fé por opção. A fé é da esfera da liberdade
e do amor. Só se ama por decisão profunda do próprio ser. Se juntamos
corretamente Ecologia, Fé e Política, na linha da opção pelos pobres, o
Evangelho vira dinamite em nossas vidas como Evangelizadores ou Catequistas,
sempre prontos a pelejar em favor dos excluídos e junto com eles.